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1 -
O Contador
Enory Luiz Spinelili,
ex sócio, ex presidente do CRC/RS e amigo particular,
lamentou na época o falecimento prematuro com as seguintes
palavras ao Jornal do CFC:
“Ele era imbatível, lutador, fiel aos seus princípios
e idéias, batalhador incansável pela valorização
e promoção da Classe Contábil. Nas suas
andanças por este País e no exterior, elevou
a Classe Contábil brasileira a patamares até
então nunca alcançados. Infelizmente o Gatti
nos deixou. Mas ficará entre nós o seu exemplo,
a sua bravura, a sua obra, a sua dedicação à
classe, a lembrança de suas ações sempre
voltadas para a elevação e reconhecimento do
profissional da Contabilidade”
2 -
Colheu a morte, ainda cedo, o companheiro da luta, de uma
luta determinada a dar à nossa classe uma vibração
maior, e levá-la para o merecido lugar, do seu sonho,
do seu desejo. "O Contador do ano 2000", seu estandarte,
envolveu-nos a todos e, certamente, todos temos hoje um pouco
deste profissional competente, respeitado e valoroso, por
ele almejado.
Somos testemunhas de seus esforços na modernização
das nossas diretrizes profissionais, impondo como se estivesse
pedindo, mas, ao mesmo tempo, ouvindo e respeitando a opinião
dos demais conselheiros. Foi a sua uma gestão de incontestável
vigor e realizações, que nos faz recordar as
suas palavras quando chegou ao CFC: "nós vamos
trabalhar muito forte". Era então para os seus
um convite e um aviso. E esse trabalho forte o levou a planejar
nossa grandiosa sede. Tão grande para muitos, mas não
para o seu ideal de ter nosso lugar destacado no concerto
das profissões mais importantes.
Alguém, senhor presidente, que li há tanto tempo,
e que a minha memória não entalhou profundamente,
ou, certamente, a erosão do tempo dela apagou, dizia
que as pessoas se dividem em diamante e trigo. Diamantes seriam
aqueles a quem admiramos pelos trabalhos musicais ou literários,
e que são a graça e o prazer da vida. Outros
seriam trigo, pessoas realizadoras tão úteis
e indispensáveis como os alimentos, que se não
brilham, nos dão, porém, a força para
a sobrevivência.
Ivan Carlos Gatti, além de bravo, senhor presidente,
era trigo.
Com os pesares do amigo e admirador
Carlos Garcia Lorenzo
3 -
Gatti, a obra continua
Victor Faccioni
"Tuas boas não desaparecem, mas continuam no
tempo para exemplo do que aqui ficam e te acompanham na viagem
do além."Tal certeza expressa no Talmud e legada
aos pósterosmuito bem pode ser aplicada a Ivan Carlos
Gatti, falecido no último dia 30 de abril. Ele me levou
para participar da classe contábil,na qual já
estava inscrito, mas pouco relacionado. À época,
entre 1986 e 1989, foi presidente do Conselho Regional de
Contabilidade do Rio Grande do Sul (Crcrs). Sua atuação
foi tão marcante que o tornou conhecido não
apenas em nosso Estado, mas em todo o País, como um
grande líder classista, que iniciou pela coordenação
da 1ª Convenção dos Proprietários
de Escrituras de Contabilidade, em 1976. A partir daquele
ano, Gatti teve uma carreira ascendente, galgando vários
postos de direção na área contábil,
até chegar à presidência do Conselho Federal
de Contabilidade (CFC), de 1990 a 1993, em cujo período
fundou e presidiu a Fundação Brasileira de Contabilidade.
Na entidade máxima dos contabilistas brasileiros, Ivan
Carlos Gatti transferiu a sede para Brasília, promoveu
o 1º Congresso Brasileiro de Contabilidade patrocinado
pelo CFC, em Salvador, e foi um dos responsáveis pela
incrementação de intercâmbio da classe
contábil brasileira com organismos internacionais.
Destacou-se, ainda, além da área contábil,
como atleta, tendo sido jogador de futebol do Aimoré
de São Leopoldo, e no Renner, onde sagrou-se campeão
gaúcho, em 1954, com seu colega Ênio Andrade,
já falecido. Por esse e tantos outros motivos, nunca
será tarde homenagear um cidadão, desportista
e profissional de escol. Minha integração com
a classe contábil, como já assinalei, devo a
ele,e foi tal que a representei na Constituinte e, por indicação
dele, fui, depois, distinguido com vários títulos.
Nossa homenagem, pois, ao Ivan Gatti, e que seu legado de
homem de princípios e lutador incansável sirva
de exemplo a todos nós.
Vice-presidente do TCE/RS
4 -
Ontem à tarde fui ao cemitério
XXIII somar meu imenso pesar ao da familia e dos amigos do
contabilista Ivan Gatti, falecido de problemas cardíacos
na madrugada, após bem sucedida cirurgia ortopédica.
E na companhia da família e desses amigos, uma legião,
por sinal, acabei me lembrando dos quase 30 anos de convivência
e amizade, durante os quais tive oportunidade ser testemunha
privilegiada de uma vida excepcional.
Realmente não sei por onde começar porque, em
relação a Ivan Gatti, por mais que se diga,
fica sempre tudo por se dizer. Como líder da classe,
desempenhou papel fundamental no aprimoramento social, técnico
e político da sua categoria, tanto em nível
regional, presidente que foi das associações
de classe e do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande
do Sul, tanto em nível nacional. presidente que foi
também do Conselho Federal de Contabilidade.
Acompanhei o seu trabalho na construção do novo
prédio e na tranferência da sede do Conselho
Federal para Brasília. Foi perfeito, principalmente
porque ele muito mais deu a estas causas do que delas obteve.
Quando cumpriu seu último mandato, e com isso deu por
terminada a sua missão, a categoria dos contabilistas
assumira maioridade plena e tinha voz, como tem hoje, para
ser ouvida nos mais altas instâncias de decisão
do país.
Contudo, esta magnífica folha de serviços que
o engrandeceu politicamente não modificou o ser humano
simples, afável, amoroso, capaz de despir a roupa do
corpo para ajudar o amigo em dificuldades. Fui testemunha
disso também, algumas vezes, desde que o conheci, no
longínquo ano de 1974, quando em companhia do finado
jornalista Tito Tajes, iniciamos o primeiro jornal de bairro
profissional de Porto Alegre. Nesta ocasião, Gatti
era membro da Associação dos Amigos Cristóvão
Colombo e mesmo que ainda lutasse com dureza para construir
materialmente o seu patrimônio, era pura doação
pessoal nos esforços que fazia para engrandecer aquela
comunidade.
Nos anos que se seguiam, a admiração pessoal
e amizade se consolidaram pelas lições de solidariedade,
integridade e amor ao próximo, tudo brotando espontaneamente
da sua maneira de ser. Era um homem alegre, feliz, que fazia
feliz quem com ele convivesse.
Como eu disse no início da manifestação
de pesar, quando pessoas como Ivan Gatti partem da vida, por
mais que se diga, tudo fica por se dizer. Só acrescento
que foi um ser humano que valeu à pena neste planeta
tão conturbado. Com profunda reverência à
sua memória, o programa de hoje é dedicado a
Ivan Gatti, contabilista, bom chefe de família, extraordinária
criatura que, com amor, povoou o mundo de Deus.
Jayme Copstein
Brasil na Madrugada, 1° de maio de 2002
5 -
"Caminho traçado"
O Jornal do CFC reproduz palavras do Contador Ivan Carlos
Gatti contidas no relatório final de sua gestão
na presidência do CFC:
" Assumi a Presidência do CFC, em janeiro de 1990,
para realizar um ' hino de amor '. Eu queria contribuir para
que a profissão passasse a ser a número um deste
País. Agora, encerrados os quatro anos de mandato,
acredito que colaborei muito; não sonho mais sozinho
e o Caminho do Contador do Ano 2000 está traçado.
Preparei este relatório, que falará por sí,
não para justificar o realizado, mas, sim, para deixar
paramêtros para as próximas administrações.
Não fiz tudo, mas fiz tudo o que poderia ser feito.
Brasília, 30/12/1993. Contador Ivan Carlos Gatti, Presidente
do CFC. "
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